Wednesday, October 18, 2006

Coluna do Nelson
Quarta-feira, 18/10/2006
Porto Velho, Rondônia

Memória

Os moradores esclarecidos de Porto Velho aplaudem a ampliação das atividades do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). A cidade é considerada a mais desmemoriada e a menos preocupada com sua história. E grande parte da culpa é dos meios de comunicação, de gente que deveria preservar o passado, para garantir o futuro.

Datas

Dia desses, uma apresentadora de TV referia-se sem a menor vergonha a um recente feriado como “aniversário da cidade (de Porto Velho)”. A pobre jovem sequer sabia que no feriado se confundia a data de criação com a de instalação do município – que vai de Calama a Porto Velho e antes ia até Vilhena. Nada a ver com o aniversário da cidade, em julho.

Pronúncia

Escandaloso, constrangedor, lamentável mesmo foi ouvir, num comercial de TV o locutor citando o nome de um histórico bairro de Porto Velho como “pá-na-ir”. Escreve-se de fato Panair, mas lê-se “panér”, nome de uma antiga e famosa empresa aérea, que dominava os céus do Brasil há mais de 50 anos.

Preparo

Sempre se exigiu de locutores de rádio um mínimo noções de prnúncia de inglês e de francês. “Panair” é uma palavra francesa. Era a companhia aérea Panair do Brasil, que ligava Porto Velho ao resto do país, no tempo sem estradas, e tinha aqui uma estação telegráfica – a rádio da Panair (panér) – que, como todos sabem, deu nome ao bairro. Pá-na-ir é a....

De doer

Às vezes, os locutores de comerciais de rádio e de TV de Porto Velho fazem a gente pedir desculpas às visitas, principalmente de outros Estados, não só pelo mau gosto e baixa qualidade da maioria das peças, como pelas barbaridades que eles falam. Certo dia, um locutor detonou um “uachíngtom” no pé da orelha dos ouvintes ao ler Washington.

Idade

O jornalista Ebrahim Ramadan, célebre editor-chefe do não menos célebre “Notícias Populares”, de São Paulo, tinha vontade de atirar pela janela do 5º andar onde ficava a redação os infelizes que chamavam de idosas as pessoas com menos de 65 anos. Ele invocava até mesmo padrões da OMS (Organização Mundial de Saúde): “Quem tem 60 ou mais anos não é velho, não é idoso, é sexagenário.”

Notícia

Sem saber disso, um redator de Rondônia escreve que um “idoso” de 57 anos foi achado morto por aí. O homem sequer pode ser considerado, tecnicamente, pelos padrões internacionais, como membro da Terceira Idade. O preparo físico de cada um ajuda a fazer a diferença. Mas, com certeza, há velho que ainda está na juventude, assim como há jovem que já é velho.

Vantagem

Quem chega com saúde e amor à vida à velhice descobre que a idade madura é um prêmio que somente quem chega lá consegue avaliar

Novo foco

Os jornalistas Raymond Colitt, ex-"Financial Times", e Todd Benson,
ex-"New York Times", dizem, em despacho da agência Reuters, "Lula ganha ao mudar o foco da campanha brasileira". Ele teria "recuperado sua vantagem sobre o rival conservador na corrida presidencial ao dizer que o oponente cortaria benefícios sociais e venderia empresas estatais".

Estratégia

Em reunião realizada na noite de domingo, em São Paulo, o alto comando da campanha tucana de Geraldo Alckmin reformulou a estratégia de campanha. Decidiu-se constituir uma tropa de choque para responder aos ataques de auxiliares e políticos aliados de Lula, liberando o candidato para entoar um discurso mais propositivo.

É melhor

Conclui-se que a campanha de Lula estruturou-se melhor no segundo turno. O presidente escalou ministros e políticos aliados para alvejar Alckmin. O petismo ocupou o noticiário. E Alckmin vinha respondendo aos ataques sozinho. Deliberou-se que, a partir de agora, as respostas às provocações dadas pelo segundo escalão da campanha, não pelo candidato;

Liberar

A idéia é liberar Alckmin para fazer o embate propositivo, como vem fazendo Lula. Pesquisas telefônicas e de grupo revelaram que Alckmin está flertando com um risco: o de transformar Lula em vítima. O presidente, aliás, cuida para que o risco se acentue. Vem realçando em suas manifestações públicas o “descontrole” de Alckmin, que atribui à "falta de propostas" do adversário.

0 Comments:

Post a Comment

<< Home